From retorno ao ventre – mỹnh fi nugror to vẽsikã kãtĩ

Written in Portuguese by Jr. Bellé

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o sonho

conta-se mas ninguém ouve
houve mas ninguém conta
que ela era filha do sul

e por isso ninguém sabe e ninguém nunca saberá
se kaiowá nhandeva se yaró mbyá
se xokleng se charrua carijó ou xetá

— nem uma linha uma vogal um registro —

não sei o povo de minha bisavó
não sei a terra nem sei a chuva
mas na noite em que voltei do hospital
pouco depois de dormir
afundei num sonho de águas barrentas
e senti uma cobra grande roçando meus pés

ela nadava se confundindo com as ondas
e deslizava suas escamas para fora do rio
a cabeça maior que um touro seu corpo
elegante e monstruoso perdia-se de vista

abriu sua boca caverna e mostrou as presas
gotejando como estalactites venenosas
entre elas estendeu a língua
como se estendesse um tapete vermelho
por onde saiu caminhando tranquila
uma criança

com a lama da margem ela desenhou dois traços retos
debaixo de cada olho dela
e debaixo de cada olho da cobra enquanto dizia

nũgme jãgti 

ela tinha a voz da minha mãe
e eu que jurava já ter esquecido a voz da minha mãe
acordei
sufocado pela lembrança devolvida
em palavras tão familiares e desconhecidas

nũgme jãgti 

não sei o povo não sei a terra nem sei a chuva
mas sonhei com uma criança e escolhi chamá-la de bisa
ouvi sua voz como se ouvisse minha mãe chamando
me pedindo pra voltar pra casa

nũgme jãgti 

esse som ficou na minha cabeça por dias
sendo apenas isso — um som
ainda sem grafia sem imagem sem sentido

descobri depois pesquisando num livro
sobre os povos originários do paraná
que essa é uma expressão da língua kaingang
e quer dizer o sonho dos mortos 

o sonho que a gente tem
quando precisa acalmar a saudade
de quem se foi

talvez tudo seja acaso
— o clarão o sonho o livro —
mas escolhi chamá-la de bisa

escolhi chamar nũgme jãgti
de reencontro

***

apagamento

é sobre uma bamba pilha de livros
que se equilibra o peso imenso e delicado da história
ou a gravidade brutal do seu vazio:
segundo as mais canônicas obras das ciências sociais
também da historiografia da geografia
do jornalismo e da literatura paranaense
segundo a narrativa das companhias colonizadoras
segundo as crônicas das frentes pioneiras
e a epopeia dos tropeiros e dos bugreiros
segundo a saga dos colonos europeus e a sanha
dos colonos brasileiros
segundo os órgãos governamentais e os mapas
e os atlas oficiais
segundo a burocracia estatal e o imaginário popular
e enfim segundo os livros didáticos
até o início da terceira década do século XX
o interior do paraná era um absoluto

vazio de gente 

sinônimos: sertão desabitado
sertão esquecido sertão longínquo
boca do sertão terras devolutas terras desocupadas
terras desabitadas vagas terras domínio público
largos espaços vazios ilimitado deserto
área abandonada região despovoada
zona desconhecida floresta intocada

vazio demográfico 

um exemplo: segundo wilson martins
professor de literatura brasileira na universidade de nova york
duas vezes laureado com o prêmio jabuti e autor do livro
“um brasil diferente: ensaios sobre fenômenos
de aculturação no paraná” (1955)
:
do ponto de vista humano
a província era um ilimitado deserto
na maior parte do território
o vazio era absoluto:
eram os campos gerais
era a floresta era a serra do mar 

assim é o paraná
território que do ponto de vista sociológico
acrescentou ao brasil uma nova dimensão
a de uma civilização original
construída com pedaços de todas as outras
sem escravidão sem negro
sem português e sem índio
dir-se-ia que a sua definição humana
não é brasileira
outro exemplo: segundo nilo bernardes
pesquisador do instituto brasileiro de geografia e estatística
da universidade católica do rio de janeiro e autor do livro
“expansão do povoamento no estado do paraná” (1952)
:
embora no começo do século
os povoadores espontâneos
já dessem início ao alastramento
sôbre o oeste paranaense
no segundo planalto
a encosta de guarapuava e de palmas
ainda estava desabitada
todo o oeste dos atuais municípios
de tibagi e reserva era ainda parte
do vasto sertão que se continuava
até o rio paraná 

o termo sertão é aqui empregado
sempre no sentido
de vazio demográfico 

por vazio demográfico entenda-se apagamento
pois é evidente que aquelas terras estavam cheias
de pinheiro de macaco de tatu de xetá de unha-de-gato
de taquara-mansa de fumeiro-brabo de ipê de kaiowá
de gralha-azul de chuchu de xokleng de cipó de araçá
de alecrim-do-mato de ariticum-preto de ingá de mỹnh

o vazio estava especialmente cheio de mỹnh
estava cheio de nós

era em direção a este grande vazio de gente
a este imenso sertão desabitado
que o capitão josé ozório e sua comitiva marchavam

um vazio que ele chamava de campos de guarapuava
mas que o próprio vazio chamava de koran-bang-re
um vazio que ele chamava de terras devolutas

mas que o próprio vazio chamava de ẽmã
mas que o próprio vazio chamava de casa

***

mãe 

preciso te contar uma coisa que descobri sobre você:
sabia que mãe em kaingang
se escreve mỹnh mas se fala mãe?

se você̂ estivesse aqui eu te chamaria de mỹnh
e não de saudade

tia pêdra morreu
mas converso com ela quase todas as noites

o pai é que vejo pouco já faz quase um ano
tenho medo que a gente acabe se afastando muito
a mana virou mãe de três e filha de oxóssi

enquanto eu escrevia este livro
dezoito anos se passaram sem você mãe

faz mais tempo que tenho tua morte
do que o tempo que te tive comigo

nunca mais voltei ao teu túmulo
você foi sepultada tão longe
lá no sudoeste onde nasceu

hoje eu entendo: você precisava voltar
hoje você é mãe e também é território
hoje eu entendo: também preciso voltar

prometo te visitar em breve aí na tua terra indígena
depositar flores beber um mate
limpar tua lápide jogar conversa fora
dizer que te amo

mỹnh
em breve serei mais velho do que você̂ jamais foi
e precisarei de ti mais do que nunca
eu tenho a pele encardida de branco mãe
tenho a alma funda de terra
tenho a terra carne de chão
:

hoje você é mãe e também é território
saí do teu ventre
ao teu ventre retorno

Published March 16, 2026
© Editora Elefante 2024

From retorno ao ventre - mỹnh fi nugror to vẽsikã kãtĩ

Written in Portuguese by Jr. Bellé


Translated into Italian by Elisa Rossi

il sogno

si narra ma nessuno ascolta
accadde ma nessuno narra
che lei era figlia del sud

e perciò nessuno sa e nessuno mai saprà
se kaiowá nhandeva se yaró mbyá
se xokleng se charrua carijó o xetá

– non una riga una vocale un registro –

non so la gente della mia bisnonna
non so la sua terra non so la sua pioggia
ma una notte che tornai dall’ospedale
poco dopo che mi ero addormentato
sprofondai in un sogno di acque fangose
e sentii un grande serpente sfiorarmi i piedi

nuotava confondendosi con le onde
le sue squame scivolavano fuori dal fiume
la testa più grande di un toro il suo corpo
elegante e mostruoso si perdeva di vista

aprì la sua bocca caverna e mostrò le zanne
gocciolanti come stalattiti velenose
tra loro stese la lingua
come se stendesse un tappeto rosso
da dove uscì camminando tranquilla
una bambina

con il fango della riva disegnò due righe rette
sotto ognuno dei suoi occhi
e sotto gli occhi del serpente mentre diceva

nũgme jãgti 

aveva la voce di mia madre
e io che giuravo di aver già scordato la voce di mia madre

mi svegliai
soffocato dal ricordo restituito
in parole così familiari e sconosciute

nũgme jãgti 

non so la gente non so la terra non so la pioggia
ma ho sognato una bambina e l’ho chiamata bisnonna
ho sentito la sua voce come se sentissi mia madre
che mi chiede di tornare a casa

nũgme jãgti 

quel suono mi rimase in testa per giorni
ma era solo questo – un suono
ancora senza grafia senza immagine né senso

scoprii poi cercando in un libro
sui popoli originari del paraná
che quella è un’espressione della lingua kaingang
e vuol dire il sogno dei morti

il sogno che facciamo
quando dobbiamo calmare la mancanza
di chi se n’è andato

forse è tutto un caso
– il chiarore il sogno il libro –
ma ho scelto di chiamarla bisnonna

ho scelto di chiamare nũgme jãgti
rincontro

***

cancellazione

è su un’instabile pila di libri
che si equilibra il peso immenso e delicato della storia
o la gravità brutale del suo vuoto:
secondo le opere più canoniche delle scienze sociali
anche della storiografia della geografia
del giornalismo e della letteratura paranaense
secondo la narrazione delle compagnie colonizzatrici
secondo le cronache delle frontiere pionieristiche
e l’epopea dei mandriani e dei cacciatori di indios
secondo la saga dei coloni europei e la furia
dei coloni brasiliani
secondo gli organi governamentali e le mappe
e gli atlanti ufficiali
secondo la burocrazia statale e l’immaginario popolare
e infine secondo i libri didattici
fino all’inizio del terzo decennio del XX secolo
l’entroterra del paraná era un assoluto

vuoto di gente

sinonimi: sertão disabitato
sertão scordato sertão lontano
bocca del sertão terre spopolate terre abbandonate
terre disabitate vacanti terre dominio pubblico
larghi spazi vuoti sconfinato deserto
area abbandonata regione spopolata
zona sconosciuta foresta intatta

vuoto demografico

un esempio: secondo wilson martins
professore di letteratura brasiliana all’università di new york
due volte vincitore del premio jabuti e autore del libro
“un brasile diverso: saggi sui fenomeni di acculturazione nel paraná” (1955)
:
dal punto di vista umano
la provincia era un deserto sconfinato
nella maggior parte del territorio
il vuoto era assoluto:
c’erano i campos gerais
c’era la foresta c’era la serra do mar

così è il paraná
territorio che dal punto di vista sociologico
conferì al brasile una nuova dimensione
quella di una civiltà originale
costruita con pezzi di tutte le altre
senza schiavitù senza nero
senza portoghese senza indio
si direbbe che la sua definizione umana
non è brasiliana
un altro esempio: secondo nilo bernardes
ricercatore dell’istituto brasiliano di geografia e statistica
dell’università cattolica di rio de janeiro e autore del libro
“espansione dell’insediamento nello stato del paraná” (1952)
:
sebbene all’inizio del secolo
i coloni spontanei
già iniziassero ad allargarsi
sull’ovest paranaense
nel secondo altipiano
il fianco di guarapava e palmas
era ancora disabitato
tutto l’occidente degli attuali comuni
di tibagi e reserva era ancora parte
del vasto sertão che continuava
fino al fiume paraná

la parola sertão è qui impiegata
sempre nel senso
di vuoto demografico 

per vuoto demografico si intenda cancellazione
poiché è evidente che quelle terre eran piene
di pino di scimmia di armadillo di xetá di unghia di gatto
di taquara-mansa di fumeiro-brabo di ipê di kaiowá
di gralha-azul di chuchu di xokleng di cipó di araçá
di rosmarino selvatico di ariticum-nero di ingá di mỹnh

il vuoto era soprattutto pieno di mỹnh
era pieno di noi

era incontro a questo grande vuoto di gente
a questo immenso sertão disabitato
che il capitano josé ozório e la sua comitiva marciavano

un vuoto che lui chiamava campi di guarapuava
ma che lo stesso vuoto chiamava koran-bang-re
un vuoto che lui chiamava terre spopolate

ma che lo stesso vuoto chiamava ẽmã
ma che lo stesso vuoto chiamava casa

***

madre

devo raccontarti una cosa che ho scoperto su di te:
sapevi che madre in kaingang
si scrive mỹnh ma si dice madre?

se tu fossi qui ti chiamerei mỹnh
e non nostalgia

zia pietra è morta
ma parlo con lei quasi tutte le notti

è papà che vedo poco è già quasi un anno
ho paura che finiremo per allontanarci molto
mia sorella è tre volte madre e figlia di oxóssi

mentre io scrivevo questo libro
diciott’anni sono passati senza te madre
ho da più tempo la tua morte
che il tempo in cui ti ho avuto con me

non sono più tornato alla tua tomba
sei stata sepolta così lontano
là nel sudovest dove sei nata

oggi capisco: dovevi ritornare
oggi sei madre e sei anche territorio
oggi capisco: anch’io devo ritornare

prometto di venire presto là nella tua terra indigena
depositare fiori bere un mate
pulire la tua lapide parlare del più e del meno
dire che ti amo

mỹnh
presto sarò più vecchio di quanto non sei mai stata
e avrò bisogno di te più che mai
io ho la pelle sporca di bianco madre
ho l’anima profonda della terra
ho la terra carne di suolo
:

oggi sei madre e sei anche territorio
sono uscito dal tuo ventre
al tuo ventre ritorno

Published March 16, 2026
© Jr. Bellé
© Specimen

From retorno ao ventre - mỹnh fi nugror to vẽsikã kãtĩ

Written in Portuguese by Jr. Bellé


Translated into Kaingang by André Luís Caetano

vẽnhpéti 

tó tóg ser hãra ũ pi
mẽg mũ mẽg tóg mũ hãra ũ pi tó tĩ
fi tỹ sul kósin nĩ ti

hã kỹ ũ pi kĩnhra nĩ kar ũ pi ki kanhró nĩj mũ gé
je kaiowá nhandeva kar yaró mbyá
je xokleng kar charrua carijó ketũmỹr xetá

— vãfe tũ vogaj ketũmỹr to rán ja —

inh pi ki kanhró nĩ ũ tỹ ne ti tỹ inh bisa kanhgág ag
inh pi ga ki kanhró nĩ kar ta ti
hãra kuty ũ mỹ isóg hospital to vỹn ke mũ
isỹ nũr mãn jo
goj jẽgrá ki sóg pun ke mũ inh vẽnhpéti ki
pỹn mág fi tóg inh pẽn rã vo tĩgtĩ

goj tỹ rũmrũm kãmĩ fi tóg mro kar ve kórég krĩ tỹ
vẽnhmỹ ke tĩ
fi fár tỹ fi tóg goj fyr tá jym ke tĩ
monh mág kãfór fi krĩ ti
sĩnvĩ tỹ vĩ mré mag tỹ vĩ vej vãnh tá jun tĩ

fi jẽnky mág tỹ róm ke mũ fi jã mág vinven mũ
pénjo rike gronh ke tĩ
fag jagfy fi tóg fi nũnẽ kujén kỹ fig mũ
je tỹ kur kusũg tỹ jagma kujén kỹ fig mũ
hã tá gĩr sĩ fi tóg ve há ke kỹ tĩ nĩ

goj jagma kãgrór tỹ rá téj régre han mũ
fi kanẽ kar ag krẽm
pỹn fi kanẽ kar ag krẽm kỹ fi tóg ge tĩ

nũgme jãgti
inh mỹnh fi vĩ rike
kỹ sóg inh mỹnh fi vĩ kãjatun ja tũ nĩ ver
mrin ke mũ
jykre to jẽmẽg nĩgtĩ
inh kẽge ag vãmén ja si to

nũgme jãgti 

ag hã mẽn ketũmỹr ga ti ketũmỹr ta ti
ũn sĩ fi to vẽnhpéti kỹ inh ne fi mỹ jyjy tỹ bisa kẽ mũ
isỹ ã vĩ mẽg mũ tỹ inh mỹnh fi vãmén hã
inh mỹ ha ĩn ra tĩg

nũgme jãgti
vãkyr tag tóg inh krĩ kã kã nĩgtĩ kurã kar mĩ
tag tỹ vĩ — vãkyr tĩ
ver vẽnhrá tũ kar kãgrá tũ ne ja há tũ

vég inh ne mũ rivro ki jãvãnh kỹ
kanhgág si ag paraná tá
tag vỹ tỹ kaingang ag vĩ pẽ nĩ
hã to ẽg tóg vẽser ag vẽnhpéti ke tĩ

ẽg tỹ vénhpéti nỹtĩn kỹ
ẽkrén ja tỹ tũ ken jé
ũn vyr ja ti

inh mỹ tóg tỹ vẽ jy kẽ nĩ
— jẽngrẽg kar vẽnhpéti mré rivro ag —
hãra sóg fi jyjy tỹ bisa ke mũ

hã kỹ sóg to nũgme jãgti
ke mũ to kato tẽ

***

nhyn nhyn ke 

rivro kamã ki
tóg ẽg kãme kufy ki króm tĩ
ã kufy tũ tóg kuprã nĩ

hã to ciências sociais to vãmén e tỹ vĩ han mũ
kar ẽg kãme mré ẽg nỹtĩ ja ki
jornalismo kar literatura to paraná tá
ke ag tóg mũ vãmén ag tóg mũ companhias ag
ke ag tóg mũ jã mĩ ke ag
vẽnhrá sĩnvĩ tỹ vĩ ha tỹ vĩ kãru kri mũnh fã ag rán ja mré
kanhgág ag kugmĩnh fã
fóg tỹ europeus ag kãme mré brasil ki fóg ag tũ
je pã’i ag rike kar mapa ag
kãgrá oficial ag mré hã
jo documento tỹ pã’i mág ag tũ ag rike kar ag jykre kar mré
kar ser rivro rike tỹ iskóra rivro ag
ver século xx kã prỹg tỹ pénkar kri pénkar kã
paraná mỹ tã tá ha mẽ

ẽg kuprã vẽ 

paravra jag rike ag tag ag vera: jamã katy jamã kãjatun kỹ nĩ
kar jamã kór gy tỹ vĩ ga katy jẽnky vẽ ga kunũnh ja
ga kuprã ke gé ga tỹ vé ké nỹtĩ pã’i ag tu
rugar mag ag kuprã ke gé ga katy
amã tovãnh kỹ nỹtĩ kuprã tá ne tũ
ga vẽnhmỹ nẽn tỹ ki rãnh vãnh

tá kuprã
ha vé: ke tóg mũ wilson martins ti
prosor tỹ literatura brasileira universidade de nova york tá
rivro rẽgre ki tóg gyjũ ke mũ prêmio jabuti ki kar
um brasil diferente: ensaios sobre fenômenos
de aculturação no paraná” (1955)
:
ẽg tỹ pãvãnh rike
ti nĩgja tá tóg tỹ ga kuprã tĩ
ti ga pénĩn to hã
kuprã tỹ vĩ:
re mág campos gerais kar hã vẽ ser
serra do mar vẽ 

ge tóg nỹ paraná ti
ẽg tỹ ki pãvãnh kỹ ẽg tóg to ge tĩ
brasil ki rã mũ gé ga ha tỹ vĩ
ki ũn si ag tóg nỹtĩ ver
ga ũ tỹ han kỹ nĩ
tỹ vẽnyn fã tũ mré fóg sá tũ
fóg vĩ tũ mré kanhgág tũ
ge tóg nỹ ser
pi tỹ brasileiro nĩ ser

ha tag ve gé: ge tóg mũ nilo bernardes ti
pesquisador vẽ instituto brasileiro de geografia e estatística tá
universidade católica do rio de janeiro ki kar rán fã pẽ
expansão do povoamento no estado do paraná” (1952)
:
kỹ ser prỹg tóg ki kãrã mũ ki
vẽnhãm fã e tỹ vĩ
vẽnhgrun kãmẽg mũ ser
rã pun kej fã tỹ paraná tá 

pãnónh téj kã tá
guarapuava pẽnĩn kar palmas mĩ
ver tóg mĩ kuprã tĩ vẽ
rã pun kej fã kar mĩ ki nỹtĩ ti ver
tibagi mĩ tóg ver tỹ reserva katy nỹ tỹ paraná tá krỹg tĩ vẽ
ga katy tóg taki
ge tóg nỹ ser
to ga kuprã ke tĩ 

ga kuprã mré ki ne tũ
hãra ga ẽn tóg ki fór nỹtĩ je
ki tóg fág nĩ kajẽr tũ fãfãn kar gatu xetá nĩgru
vãnh jũ tũ pétór mré kar pa kaiowá ke gé
ki sãgsó tánh mré xokleng pého kupri mré mrũr
tỹ kókaj mré kukrej kar kósán tỹ mỹnh

mỹr ti kuprã tóg mỹnh kuprã rike nĩ
ẽg tỹ fór nĩvẽ

kỹ tóg ag to tĩ ti ag kuprã to
ga kuprã mág tag ki
ki ne tũ ti
capitũ josé tóg ti tũ ag mré sỹmsỹm ke tĩ
guarapuava ag to tóg re kuprã ke tĩ ti
kuprã tỹ vĩ to tóg koran-bang-re ke tĩ
ti kuprã tỹ vĩ to tóg ga ke tĩ

ti kuprã tỹ vĩ to tóg ẽmã ke tĩ
hãra to tóg ĩn kuprã ke tĩ

***

mỹnh 

inh sỹ ã mỹ nénũ tój ke nĩ sa ã to mẽ ja ti:
ã kĩnhra nĩ kaingang ki
ẽg tóg mỹnh ke tĩ hãra ẽg tóg to mãe ke tĩ?

ã ta kã nĩ ra isỹ ã to mỹnh kej vẽ
hãra ã ki tũ ra

tia pêdra fi tóg ter mũ
hãra sa fi mré vãmén tĩ kuty kar mĩ

inh panh hã ve kamãn tũ inh nĩ prỹg pir ser
kamẽ sa nĩ ẽg jagvãm ke ti kumẽr hã
inh régre fi tóg krẽ tãgtũ nĩ oxóssi fi kósin fi

sa rivro tag rán mũ jãvo
18 prỹg tóg tĩ mũ ã tũ han kỹ mỹnh
si ha tỹ vĩ ã ter ja ti ha mẽ
sa ã tỹ inh mré kã nĩ kã

inh pi ag vẽnhkej kri kan mũ ẽn ra tĩg mãn mũ
ã tóg kuvar há tá kri kan kỹ ter mũ
tá sudoeste tá ã mur ja tá

ũri sa kri fig tĩ: vỹn kej ke ã tóg nĩvẽ
ũri ã tóg tỹ mỹnh nĩ ga ke gé
ũri sa kri fig tĩ: vỹn kej ke sõg nĩ gé

kejẽn sa ã to pasa kej tĩg mũ ã ga ra
ã mỹ kafej vin jé mãtĩ kron jé
ã vẽnhkej kupen jé vãmigmén jé
isỹ ã to há sóg nĩ ken jé

mỹnh
kejẽn sóg kãfãn mũ
inh sóg ã mỹ inh jagfy ké kej mũ

inh fár tóg kupri nĩ mỹnh
inh vẽnhkuprig tóg nig nỹ ga kãki
ga sóg nĩ ga tỹ karnẽ ke gé
:

ũri ã tóg tỹ mỹnh nĩ ga ke gé
vẽnhkã tá kãtĩ mũ
isỹ inh mỹnh fi nugror to vẽsikã kãtĩ

Published March 16, 2026
© Editora Elefante 2024
© André Luís Caetano


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